O evangelho é para o Outro
Esse texto é o que tem mexido comigo nos últimos dias, faz tempo que escrevi e ainda estou assimilando, igual comida de vaca, sabe ? que fica dias mastigando kkkkkkkk.
Os versículos que me pegaram na curva, são esses: Marcos 6:51-52
51 Então, subiu para o barco, para estar com eles, e o vento se aquietou; e ficaram extremamente admirados,
52 pois não haviam compreendido o milagre dos pães, porque seus corações estavam endurecidos.
Pouco antes desses versículos, Jesus havia realizado a multiplicação dos pães e peixes. No entanto, os discípulos não estavam muito satisfeitos com a multidão que seguia Jesus. Imagino que eles possam ter pensado: “Nossa, essa multidão não deixa nosso Professor em paz. Estão sempre seguindo-o, pedindo cura, e agora ainda temos que alimentá-los. Era para estarmos jantando com Ele e aprendendo.”
Quando Jesus andou sobre as águas, os discípulos ficaram assustados, mas ainda com seus corações endurecidos. Isso mostra que eles não ficaram verdadeiramente felizes por ver a multidão sendo alimentada. Porque já era a segunda multiplicação, logo, o coração endurecido não era pelo milagre em si, mas por novamente a multidão precisar ser alimentada porque não conseguiam ficar sem ouvir as belas palavras do nosso Cristo, passavam-se dias, mas estar aos pés do nosso Cristo era um tanto saciável, com certeza eles deviam estar com muita fome, mas a alma deles nunca haviam escutado palavras um tanto quanto mais saciáveis do que uma mesa farta de celebração do Shabat.
Ao refletir sobre o versículo “pois não haviam compreendido o milagre dos pães, porque seus corações estavam endurecidos,” eu me pergunto: Será que também endureço meu coração ao fazer o bem ao outro? Será que endureço meu coração ao abençoar aquele que me fez mal, aquele que me tira o que é meu? Assim como os discípulos talvez tenham sentido que perderam tempo precioso com Jesus por causa da multidão, será que eu fico resistente quando preciso sacrificar algo que é bom e confortável para mim em prol do próximo?
Jesus nos ensina neste versículo que o Evangelho é sobre o OUTRO, e não sobre mim. O Evangelho é sobre servir, e esse OUTRO inclui realmente TODOS.
Lembro-me da igreja primitiva em Atos, onde um dos sinais do avivamento, que não era o barulho, mas sim a manifestação de Cristo, aqueles que tinham duas casas doavam uma para quem precisava, e assim viviam todos em unidade. Eles caminhavam tão perto um do outro que conseguiam saber quem precisava para doar, gastavam tempo juntos fora dos templos, concorda que para eu saber quem precisa de comida, casa, eu preciso caminhar com essa pessoa ? Ninguém vai sair gritando pedindo essas coisas, são necessidades que são reveladas para quem está junto, aquele que é íntimo, e aí que está, não é que nós precisamos escolher quem queremos ser íntimos, porque agrada os nossos olhos, não, é aquele que Deus nos estica, nos tira da zona de conforto para esse lugar de pertencimento no coração do outro. É muito claro este livro em nos ensinar que o avivamento não é o barulho e sim viver vida na vida com o Outro. Deus quer esticar os seus filhos, Deus deseja que compreendamos a profundidade e simplicidade do evangelho.
É impossível caminhar sozinho. Como manifestarei o poder de Deus se não for no outro?
Atos 2:44-47
Eles partiam o pão de casa em casa! Cristo nos convida a viver o Evangelho do Outro. Esse é o avivamento que Ele deseja que compreendamos!
1 Coríntios 12:25-26
25 Para que não haja divisão no corpo, mas sim que seus membros tenham igual cuidado uns dos outros.
26 De maneira que, se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; e se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.
A Ceia só é Ceia com o outro. A graça de Cristo é revelada na fraqueza do outro, na vivência com o outro, na sinceridade e honestidade.
Judas andou com Jesus, mesmo sabendo Jesus que ele o trairia. Cristo não expulsou ninguém, mesmo sabendo que aquela pessoa não era confiável. Então, por que fazemos uma seleção segundo nosso intelecto de quem devemos caminhar, e não segundo a necessidade dessa pessoa? Se nosso irmão está indo de mal a pior, precisamos mostrar-lhe a beleza de Cristo que ele ainda não compreendeu.
Lembro-me de Zaqueu, um publicano. Jesus sabia quem ele era, mas pediu para comer em sua casa. Jesus queria estar pertinho de Zaqueu, Jesus queria uma conexão íntima, sabe daquelas de irmão de sangue ? Pronto, é assim que ele deseja que nos relacionamos com os outros. Um irmão de sangue, ama, cuida, avisa quando tem ranho no nariz, faz piadas, chora, abre o coração, é como diz em Provérbios " Como o ferro afia o ferro, assim um amigo afia o outro".
Sentar-se à mesa e ouvir intimamente nosso irmão nos faz conhecê-lo, edifica a nós mesmos, traz vida ao irmão e esperança. Sem sentar-se à mesa e abrir o coração, você não conhece verdadeiramente essa pessoa, você apenas a vê.
Se não sentamos à mesa com o nosso irmão, se não gastamos tempo com o outro, você não o conhece, apenas sabe o seu nome.
E como julgar aquilo que você não conhece? O que é real nisso? É a nossa prepotência em querer ser bons e mais santos, e não a unidade do corpo. Nisso, não é possível ver a graça de Cristo.
Jesus, minha oração agora é por nós.
Jesus, abre nossos olhos para vivermos e vermos a tua beleza gastando tempo com o Outro.
Abre nossos olhos para a necessidade do outro.
Abre nossos olhos, Jesus!



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